Apesar de erradicada há 30 anos, vítimas da poliomieliete ainda sofrem as consequências

O Brasil desconhece o número oficial de pacientes que, décadas depois, são acometidos por um novo problema: a síndrome pós-pólio. Nos diagnósticos mais graves da pólio, a expectativa de vida é baixa. No entanto, há pacientes internados há 50 anos.
 
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O Brasil enfrentou surtos de poliomielite durante todo o século XX, mas o governo só começou a registrar os diagnósticos em 1968. Paulo Henrique Machado teve a doença com apenas seis meses. A mãe morreu no parto e Paulo perdeu contato com o pai. Após complicações, foi levado pela avó ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde continua internado há quase cinquenta anos.
 
"A minha vida aqui foi toda a base de curiosidade. A tecnologia, para mim, ajuda muito. Uma vez que eu estou aqui dentro, a tecnologia me permite estar lá fora ao mesmo tempo", conta.
 
Fã de videogame e computação, Paulo cresceu, estudou e mora numa UTI; considera médicos e enfermeiros como familiares. Ele sai do hospital em raras ocasiões, já que não consegue usar a cadeira de rodas. Para um simples passeio, uma operação precisa ser preparada.
 
"Falar com a empresa de aluguel de ambulância. Vem o motorista e o enfermeiro da ambulância. Um amigo ou amiga que é enfermeiro ou enfermeira que sempre vai comigo, eu falo: 'olha, você pode me acompanhar em tal lugar?'. Depende de muita gente", Paulo explica.
 
Entre 1968 e 1989, foram quase trinta mil casos no Brasil. Os diagnósticos começaram a ser contabilizados com a introdução da vacina, que levou à erradicação.
 
A poliomielite afeta os neurônios motores, causando a perda de força muscular. Na recuperação, os neurônios que não foram atingidos criam uma ramificação e voltam a estimular o músculo paralisado. 
 
Recentemente, os médicos descobriram que esse neurônio fica sobrecarregado. Acary Souza Bulle é especialista no assunto. Ele começou a estudar o fenômeno em atletas paralímpicos.
 
"Era um atleta que se encontrava lá, competindo, e ele falava o seguinte: 'já não consigo mais arremessar aquela bola de peso tão longe quanto eu arremessava antes'. Eu achei que era da idade. 40 anos, vai ficando mais fraco e vai perdendo força. Mas um contou essa história, outro contou, e outro, e outro. Opa, tem alguma coisa estranha".
 
Os médicos descobriram uma doença degenerativa: a Síndrome Pós Poliomielite. Sobrecarregados, os neurônios motores se esgotam, causando fadiga e dor. 
 
Maria dos Santos teve a pólio quando tinha apenas nove meses. Depois de várias cirurgias, ficou com sequela nas pernas. Há quase dez anos enfrenta a pós-pólio. Ela conta que não consegue mais realizar atividades que antes eram fáceis.
 
"Cozinhava, limpava, lavava, levava filho para a escola...Tudo. Tudo eu fazia e hoje não consigo mais fazer. Você está vendo o que já fez e hoje não faz, e fica dependendo de todo mundo".
 
A pós-pólio se manifesta trinta, quarenta anos depois e atinge entre 60 e 70% dos pacientes. O responsável pelo ambulatório de Doenças Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo, Abrahão Quadros, explica que ainda há mais dúvidas do que respostas.
 
"As mulheres tem mais precocidade do que os homens. A gente não sabe responder ainda isso, não sabe o por quê. A gente também ainda não tem a resposta para dizer porque alguns têm e outros não têm".
 
O último caso de poliomielite foi registrado oficialmente no Brasil em 1989.
 

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